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Quando o Multiplayer Significava Estar na Mesma Sala

  • Foto do escritor: Admin
    Admin
  • 31 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de abr.

Há cerca de 20 ou 30 anos, jogos multiplayer significavam, na maioria das vezes, uma coisa simples: estarmos fisicamente juntos.


Se queríamos jogar com amigos, tínhamos de nos reunir em algum lado. A sala de alguém. O quarto de alguém. Às vezes até uma garagem, com um pesado monitor CRT equilibrado em cima de uma mesa.


Os comandos passavam de mão em mão, os snacks eram partilhados, e surgiam discussões sobre quem estava a fazer batota na última volta da corrida.


Hoje, o multiplayer está em todo o lado. Mas, curiosamente, muitas vezes acontece sem ninguém ao nosso lado.


O que terá mudado?


Quando o multiplayer era um evento social


Antes da internet rápida se tornar comum, o multiplayer era maioritariamente local.

Os amigos encontravam-se pessoalmente e jogavam na mesma máquina ou no mesmo ecrã.


Algumas experiências icónicas dessa época incluem:


  • Mario Kart 64: quatro jogadores a gritar uns com os outros por causa das carapaças verdes.

  • GoldenEye 007: caos em ecrã dividido e acusações de “espreitar o ecrã do outro”.

  • Pro Evolution Soccer: partidas intensas de futebol com amigos sentados lado a lado.

  • Super Smash Bros.: toda a gente a gritar quando alguém caía da plataforma.


A configuração era simples:

Uma consola. Uma televisão. Quatro comandos.


Mas a experiência era intensa porque todos partilhavam o mesmo momento.


Podíamos ouvir as reacções imediatamente.

Podíamos rir juntos.

Podíamos celebrar uma vitória ou reclamar de um item injusto.


O multiplayer não era apenas uma funcionalidade do jogo.

Era um evento.


A era das LAN parties


Os jogos de PC tinham a sua própria versão desta cultura.

Antes de existir matchmaking online fiável, os jogadores levavam os seus computadores completos para casa de um amigo e ligavam-nos numa pequena rede local.


Chamavam-se LAN parties.


Jogos como:


  • Counter-Strike

  • Warcraft III

  • Quake III Arena


tornaram-se lendários nestes encontros.


Imagine transportar um pesado monitor CRT, uma torre de computador, teclado, rato e cabos pela cidade só para jogar durante uma noite.


Hoje parece pouco prático.

Mas, na altura, esse esforço fazia parte do ritual.


A ascensão do multiplayer online


À medida que a velocidade da internet melhorou, sobretudo a partir de meados dos anos 2000, tudo mudou.

Os jogos passaram a focar-se no matchmaking online em vez do jogo local.


Títulos modernos como:


  • Fortnite

  • Call of Duty

  • League of Legends

  • Apex Legends


permitem que milhões de jogadores compitam instantaneamente a partir de qualquer parte do mundo.


Isto foi revolucionário.


De repente, já não precisávamos de três amigos ao nosso lado para jogar um jogo completa.

A internet disponibilizava infinitos adversários.

Em muitos aspectos, isto constituiu uma grande melhoria.


Mas também mudou algo mais subtil.


A conveniência substituiu o encontro físico


Quando o multiplayer online se tornou o padrão, a necessidade de nos reunirmos fisicamente desapareceu.

Passámos a poder jogar com os nossos amigos sem sair do nosso quarto.


O chat de voz substituiu os gritos no sofá.

Os headsets substituíram o ecrã partilhado.


A experiência continuava social, mas menos física.


Já não havia snacks no chão.

Nem discussões sobre quem ficava com o comando.

Nem aquele amigo a saltar do sofá após uma vitória no último segundo.


Apenas vozes através dos auscultadores.


Algo se perdeu (e algo também se ganhou)


Seria injusto dizer que o multiplayer moderno é pior.

Os jogos online permitem que amizades sobrevivam entre cidades, países e fusos horários.

Para muitos jogadores, esta é a única forma de jogar com amigos que mudaram de casa.


Mas, ao mesmo tempo, algo único da cultura do multiplayer local tornou-se mais raro.

Não desapareceu completamente. Mas tornou-se menos comum.

Muitos jogos modernos já nem incluem ecrã dividido.


O regresso do multiplayer ao sofá?


Curiosamente, alguns jogos indie recentes estão a recuperar este espírito de jogo local.


Títulos como:


  • Overcooked

  • TowerFall Ascension

  • Ultimate Chicken Horse


foram pensados especificamente para pessoas a jogar lado a lado.


Lembram-nos que partilhar um ecrã ainda pode ser mágico.


Porque é que estas memórias importam


Para muitos jogadores, as memórias mais fortes não são apenas sobre os jogos em si.


São sobre com quem os jogámos.


As gargalhadas.

Os gritos.

As rivalidades amigáveis.


A sensação de uma sala cheia de amigos, todos focados no mesmo ecrã.


A tecnologia continua a avançar, e o multiplayer vai continuar a evoluir.

Mas, às vezes, vale a pena lembrar um tempo em que jogar em multiplayer não exigia servidores, sistemas de matchmaking ou ligação à internet.


Apenas quatro comandos.


E uma sala cheia de barulho.


Quatro amigos a jogar um jogo de corridas juntos e um rapaz a jogar um FPS sozinho

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