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O Poder Perdido da Imaginação: O Que Ficou Para Trás Quando os Jogos Passaram para 3D

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    Admin
  • 26 de jun.
  • 3 min de leitura

Quando menos detalhe criava mundos maiores


Há dias em que olho para os videojogos modernos e dou por mim a pensar se não teremos perdido algo pelo caminho.


Os cenários de hoje são absolutamente impressionantes. Conseguimos ver cada folha a mover-se ao vento. As expressões faciais parecem quase humanas. Cidades inteiras estendem-se até ao horizonte com um nível de detalhe que seria inimaginável há vinte anos atrás.


E, no entanto...


Muitos dos maiores cenários que já explorei cabiam em meia dúzia de píxeis.


Os Pokémon que existiam na nossa imaginação


Quando jogava Pokémon em criança, os monstros quase não se mexiam.

Eram apenas pequenas sprites num ecrã que, na minha imaginação, pareciam vivas.

As florestas de Kanto eram compostas por simples quadrados verdes, mas pareciam infinitas.


O mesmo acontecia com muitos outros jogos.

  • Os primeiros jogos da franquia de Zelda

  • Os primeiros Final Fantasy

  • Golden Sun

  • Secret of Mana

  • Chrono Trigger


Todos eles nos davam apenas a informação necessária para compreendermos o mundo. O resto ficava por nossa conta.

E talvez seja por isso que cada jogador guardava uma versão ligeiramente diferente desses universos. Os espaços vazios eram preenchidos pela nossa própria imaginação.


Os jogos modernos raramente deixam esses espaços.

Tudo é mostrado.

Tudo é explicado.

Tudo é renderizado.

O resultado é espetacular, mas também menos pessoal.


Porque é que os jogos antigos pareciam maiores do que realmente eram


As limitações técnicas das consolas antigas acabaram por criar algo especial sem que os próprios criadores o tivessem planeado.

Um castelo não era um castelo totalmente modelado em 3D. Era uma sugestão de um castelo.

Uma aldeia não era uma recriação realista. Era um convite à imaginação.


Como a representação visual estava incompleta, o nosso cérebro completava o resto. Nós próprios tornávamo-nos parte do processo criativo.

É uma das razões pelas quais tantas pessoas continuam a guardar memórias tão fortes desses jogos.

Não nos lembramos apenas do jogo. Lembramo-nos também da pessoa que éramos quando o jogámos.


Quando o realismo passou a ser o objetivo


A chegada dos jogos 3D mudou tudo.

Pela primeira vez, foi possível representar profundidade, distância e escala de uma forma que os jogos 2D simplesmente não conseguiam.


Ocarina of Time fez Hyrule parecer um lugar real.

Pokémon Scarlet e Violet permitem-nos atravessar regiões inteiras em liberdade.

Os mundos abertos modernos proporcionam experiências que os jogadores dos anos 90 dificilmente conseguiriam imaginar.


Foi uma revolução.

Mas essa revolução tem um preço.

Quanto mais detalhe os criadores oferecem, menos espaço sobra para a imaginação do jogador.


O mistério do que não se vê


Os jogos antigos escondiam as suas limitações através do mistério.

Não conseguíamos ver para além dos limites do ecrã.

Não sabíamos o que existia por detrás daquela montanha.

Não sabíamos o que nos esperava na próxima área.

E precisamente por isso o mundo parecia maior.

Grande parte dos jogos retro baseava-se mais na abstração do que na simulação.


Curiosamente, isso tornava-os mais mágicos.

Algumas dezenas de píxeis podiam representar um reino inteiro.

Uma melodia simples podia tornar-se inesquecível.

Um retrato estático podia definir uma personagem para toda uma geração.

O jogador completava o resto.


Mecânicas mais simples, foco maior na diversão


Existe ainda outra diferença importante.

Muitos jogos antigos eram desenhados para serem imediatamente jogáveis.

Ligávamos a consola e começávamos imediatamente a jogar.

Não havia tutoriais de uma hora, não havia battle passes, não havia missões diárias, nem sistemas de progressão intermináveis.


A atenção estava focada naquilo que realmente importava: jogar.

Havia uma ligação mais direta entre o jogador e o jogo.

Pouco se colocava no meio dessa experiência.


Será que os jogos 2D eram realmente melhores?


Provavelmente não.

Os jogos modernos conseguem coisas extraordinárias.

A sensação de imersão, a escala dos cenários, a liberdade de exploração.

Tudo isso representa um avanço genuíno.


Mas talvez essa não seja a pergunta certa.

Talvez a pergunta devesse ser:


O que faziam os jogos antigos melhor?


E uma das respostas poderá ser a imaginação.

Os jogos antigos confiavam nos jogadores e na sua capacidade de sonhar, de imaginar, de preencher os espaços vazios, e de ver um vasto reino onde existiam apenas alguns píxeis.


Um tipo diferente de magia


Quando penso nos Pokémon e nos Zelda de há vinte anos, não é necessariamente dos gráficos que sinto saudades. É da sensação que eles transmitiam.


Da sensação de que o mundo continuava para lá dos limites do ecrã.

Da sensação de que cada caverna escondia um segredo.

Da sensação de que a minha própria imaginação fazia parte da aventura.


Os jogos modernos mostram-nos mundos incríveis.

Os jogos antigos convidavam-nos a criá-los.

E talvez seja por isso que aquelas aventuras feitas a partir de poucos píxeis continuam a parecer tão gigantescas dentro das nossas memórias.


Porque, no fundo, não explorávamos apenas um mundo virtual.

Explorávamos também o mundo que existia na nossa própria imaginação.


Rapaz em frente às suas experiências de videojogos em 2D e 3D

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